SVETLA HANTOVA, UN E VIE.
segunda-feira, 16 de outubro de 2023
segunda-feira, 2 de maio de 2022
SIMPLESMENTE MULHERES
Em lembrança a meu inesquecível amigo Sílvio
Foi há muito tempo. Eu havia me afastado das aulas de francês por divergências com uma de minha colegas, que por ser a mais velha, liderava as demais. Eu havia acabado do chegar de meu pós-Graduação e Margarida Salomão queria fazer seu doutorado nos Estados Unidos. O Departamento de Letras Estrangeiras não queria dar-lhe licença e eu queria me afastar algum tempo da equipe de francês. Assim, eu resolvia meu problema e Margarida o seu.
Quando voltei ao curso de francês, fiquei pasma. Usava-se quadro de feltro , coisa do tempo de meu avô , e o método era totalmente ultrapassado. Resolvi, sem perguntar a ninguém, que daria um jeito. Fui Consulado Francês, onde consegui um novo método, áudio-visual , que se havia introduzido na época. Consegui que uma livraria da cidade comprasse exemplares . Com a ajuda de minha colega, Margarida, bolamos cartazes, que a editora da Universidade publicou. Meu monitor, que eu havia escolhido, já que não me lembro de haver tido monitor antes, Boni Iavo, marfinês, de língua francesa, me ajudou a distribuir pela Universidade. E a afluência foi enorme, maior do que esperávamos. Se houve resistência ? É claro! Uma de minhas colegas , totalmente dominada pela mais velha veio com certas argumentações, que desconheci.
E o curso deslanchou, com melhor reputação do que outro de qualquer língua. Criei um teatro em francês, que um amigo e meu cunhado José Carlos me ajudaram a ensaiar. Ludmila escolheu ao acaso um nome , Gavroche, o moleque de rua, de "Os Miseráveis" de Victor Hugo ,que morre na Revolução de 1830. Logo depois, uma de minhas colegas criou um coral de músicas francesas , que persiste , e com o mesmo nome "Chorale Gavroche" . Com a equipe de francês e a de inglês, criamos o CELEM (Centro de Línguas Estrangeiras Modernas) e a cada semana apresentávamos uma exposição diferente. Lembro-me de uma que fiz , e que obteve grande sucesso, sobre o Impressionismo, e minha amiga , Walquíria, sobre o poeta Rimbaud.
A peça, que apresentei no SEDIFRALE ( e nem me lembro mais o quê significava ) na comemoração do bi-centenário da Revolução Francesa e da Inconfidência Mineira, a que estava presente a então Primeira-Dama da França , Michelle Mitterand, me rendeu uma bolsa na Bretanha , onde conheci meus amigos búlgaros. Meus " atores" dentre os quais estava Ludmila , ficaram em um hotel que alugou o Consulado da França. Enfim, aquela reacionária , que gostaria de uma Universidade sem alunos , aposentou-se. E ficamos livres de seus problemas.
Formamos muitos bilingues, como o Deputado Júlio Delgado, que se gaba de ser tradutor quando acompanha ( ou acompanhava) um
grupo de parlamentares a países de língua francesa. Formamos uma grande amiga Cristina , que chamo de "minha menininha", hoje militar , que passou 1 ano na França , e esteve no Haiti, minha sobrinha Ludmila, que ganhou uma bolsa na França por haver encantado com sua beleza o Adido Cultural, que tinha em vista um novo projeto de ensino de francês. O projeto não deu certo por ser o colégio escolhido excessivamente liberal e, em decorrência, tendo havido problemas de disciplina. Hoje, ela dá aulas de francês em Caxambu. E formamos Sílvio e seu namorado Sebastião. Tive uma aluna que morou na França , como Jeune-au pair, estudando e cuidando de crianças.
Mas de todos eles , os que ficaram para sempre meus amigos íntimos foram Silvio e seu namorado , Sebastião, que , carinhosamente , chamávamos de Sebá. Silvio esteve presente nos momentos trágicos e infinitamente felizes de minha vida. Assim como Sebastião. Quando meu pai, altamente cardiopata, tinha crises e precisava tomar choques, ele muitas vezes me acompanhou. Durante os seis longos anos de agonia de minha mãe, ele esteve sempre a meu lado. Vinha lanchar comigo, conversar. E quando meu irmão morreu. E durante a doença de minha irmã! Vinha lanchar em sua casa todas as semanas. E quando meu cunhado se foi, lá estava ele. Finalmente, quando me tornei a remanescente foi com ele que me abracei e choramos juntos. Muito! Era minha única irmã!
Mas também esteve presente nos momentos de intensa alegria. Nos aniversários , nas festas de fim-de-ano que Teresa organizava em uma casa que ficou para Alice , no Condomínio Tiguera. Ele, seus pais e Sebastião. Na festa de celebração de Bodas de Ouro de seus pais , entrei na Igreja com Sebastião. Minha irmã já havia partido.
Por tudo isto, quando soube de sua morte, por intermédio de uma amiga, comecei a chorar convulsivamente e a rezar. Então era esta a razão de seu silêncio diante de minhas mensagens no Whatzapp? O quê lhe trazia tamanho sofrimento que, querendo escapar, resolveu colocar fim à própria vida?
Minha dor foi incomensurável! E hoje , passados meses, ainda sinto uma opressão no peito. Os outros morreram no momento que Deus determinou. Em que seus cartões de validade tiveram fim. Mas ele o precipitou! Todas as noites oro por sua alma. Assim como oro por todos que já fizeram a passagem. Oro, porque acredito na bondade de Deus , porque sei que Ele é justo.
domingo, 19 de maio de 2019
Douce France
Saudades
de um tempo que não volta mais! Meus dez anos! Um dia, meu pai chegou em casa e
disse rindo para minha mãe : “ Alice, vamos para a França!” Não me lembro do
que pensei na hora, mas depois refleti que deveria deixar no Brasil meus
amiguinhos, minha bicicleta, minhas brincadeiras de criança. Partia para um
país desconhecido, diferente, cuja língua eu nem sequer balbuciava. Para mim, e
acho que para toda a família, esta era uma mudança total. Tiramos os
passaportes, meu pai tratou com amigos o que deixaria aqui, arrumamos as malas
e fomos embora.
E depois de uma longa viagem de avião, pela extinta
Panair, com escalas em Recife e Dakar, onde senti, ao descer as escadas do
avião, um calor que parecia derreter minhas pernas, chegamos a Paris, onde
outros militares, em estudos, nos esperavam com as famílias. Eu me sentia
estranha! Não conhecia ninguém! Não me lembro do que se passou depois, mas, de
repente, eu estava lá, tão longe do Brasil!
Lembro-me
de nosso primeiro dia em Paris, com meu pai, minha mãe e minha irmã, que já
tinha 21 anos. Meu irmão havia ficado no Rio, e deveria chegar logo depois. Na
cidade desconhecida, eu via as pessoas passarem falando aquela língua estranha.
Tudo me parecia estranho! Uma menina, mais ou menos de minha idade, passou por
nós conversando com uma mulher que devia ser sua mãe. Depois fomos jantar em um
restaurante bonito, não sei onde, e meu pai, que já falava bastante bem o
francês, fez o pedido de bife com batatas fritas e certo molho, que achei
delicioso. Depois, fomos para um hotel que os outros militares brasileiros
haviam reservado para nós. Lá o que eu mais gostava era do delicioso café da
manhã, que nos serviam no apartamento. Pela primeira vez, comi um croissant! E
a geléia! A manteiga que vinha como uma conchinha! Ainda hoje, tantos anos
transcorridos, sinto o odor do hotel, do café da manhã, do shampoo em
travesseiro que minha mãe comprava no Prisunic , bem perto do hotel. Uma noite,
meu pai havia saído, e minha mãe meu deu algum dinheiro (tarefa complicada)
para comprar sanduíche de patê numa “charcuterie” ao lado do hotel. Foi alguns
dias depois de nossa chegada e eu não falava nada de francês. Tentei me fazer
entender, mas foi difícil. Acharam-me engraçadinha, afagaram o meu rosto, e me
disseram “mignonne”, “italienne”. Por fim, consegui mostrar o que queria e fui
embora feliz com meu sanduíche. Aliás, sempre nos consideraram italianos, e
lembro-me de um francês que nos viu e disse raivosamente: “Ces italiens!”
Logo
depois começou nossa peregrinação por um lugar para alugar. Não me lembro bem
do quanto percorremos, mas um ficou para sempre marcado em minha memória; uma
linda casa em Ménilmontant. Lá nasceu o grande chansonnier, Charles Trenet, que
ofereceu ao lugar a sempre lembrada “Ménilmontant”, e também a inesquecível
Edith Piaf. Naquele tempo, este “quartier” era um lugar quase bucólico, com sua
igrejinha, suas velhas casas e prédios bem diferentes dos que havia perto do
hotel. Uma tarde, fomos ver uma casa para
alugar, que meu pai havia descoberto. A proprietária era uma senhora bem idosa,
cabelos branquinhos, penteados em um coque. A casa pareceu-me deliciosa. As
paredes eram recobertas de papel florido e numa sala principal havia seda
estampada com rosas, se não me engano. Ainda posso sentir o contato de minhas
mãos com a seda. Havia um piano, e me imaginei tocando, fingindo que sabia,
como fiz mais tarde na casa de uma amiguinha, filha de outro militar. Torci
para que meu pai alugasse, mas, afinal, minha torcida não deu certo e fomos
morar na Avenue Mac-Mahon, uma das doze avenidas da Place de l´Étoile, hoje
Place Charles de Gaule, um lugar bem mais “burguês”. Nosso prédio, soube em uma
de minhas viagens à França, foi construído em 1896, ou seja, em plena era do Art Nouveau, apesar de obedecer
aos padrões haussemanianos (de Haussemann, o grande urbanista que transformou o
Paris medieval quase no que é hoje). No prédio, não me lembro de haver
franceses. No primeiro andar morava Monsieur Félix Houfouet Boigny, deputado da
France d`Outre Mer, ou seja, de uma das colônias na África. Depois da
independência, foi eterno Presidente da Costa do Marfim. No hall de seu
apartamento havia chifres de elefante, indicando sua origem africana. Havia
festas constantemente, e negros chegavam com mulheres louras, o que surpreendia
minha mãe. Como poderia ela imaginar que, muitos anos mais tarde, eu namoraria
um marfinês?
No segundo, acho que vivia uma família
francesa, mas nunca os vi. No terceiro havia uma família vinda do Ceilão, atual
Sri Lanka. As mulheres usavam o célebre sari, e tinham no meio da testa um
objeto que descobri chamar-se “bindi”. Nunca vi nenhum homem. Mulheres
silenciosas que abaixavam a cabeça quando eu as encontrava nas escadas. No
quarto andar, morava uma chilena. Conversou comigo uma vez. Também jamais vi
sua família e sempre supus que morasse só. No quinto andar, éramos nós e, no
sexto, outra família de militar brasileiro, Dirceu Nogueira, que foi ministro
no governo Geisel.
O
apartamento ocupava todo o andar, enorme, com uma sala de jantar, seguida de
uma sala de leitura, e um grande salão redondo com móveis no estilo Luís XV.
Havia lareiras de mármore com espelhos que iam até o texto. Tudo adornado com
sancas, florões e lustres de cristal. À direita do hall de entrada, havia um
painel de vidro com flores bem ao estilo Art-Nouveau. Arte que prevaleceu pelo
mundo ocidental de 1890 a 1920. Toda aquela antiguidade dava-me medo e sempre
imaginava que os fantasmas dos que ali moraram me seguiam. O elevador
hidráulico era da época da construção. Só subia e tínhamos que descer pelas
escadas. Quando subia, um longo tubo emergia do solo. O elevador era todo
espelhado e havia uma corda grossa que devia ser puxada. Conforme a força que se
usava, ia mais lento ou mais “rápido”.
Em
1981, eu estava em Versailles, fazendo um curso sobre o palácio, e indo um dia
a Paris, resolvi fazer uma visita ao prédio. As portas estavam sempre fechadas
e toda comunicação era feita por interfone. Sem ter para quem interfonar,
fiquei à espreita. Quando a porta se abriu para passagem de alguém,
cumprimentei-o e entrei. E voltei no tempo. A única coisa que havia mudado era
o elevador, substituído por outro, moderno e sem graça. Bati na “loge” do
concierge e conversei bastante com ele. Fiquei sabendo que no prédio não havia
mais famílias. Ficaria muito caro. “Nosso” apartamento abrigava uma firma de
contabilidade. E havia uma clínica “Kinesthésiste”, uma espécie de
fisioterapia. Tirei fotos de tudo, inclusive dele. O velho, a quem eu dera, em
lágrimas, François, meu peixinho, pois devia voltar ao Brasil, já havia
falecido há anos. Em 94, com minha irmã, voltei ao prédio. Não havia mais
concierge, subimos as escadas e batemos na porta do quinto andar. Uma mulher
atendeu, expliquei-lhe que havia morado ali quando criança, que éramos
brasileiros. Os móveis da sala de jantar haviam desaparecido. Havia movimento
de muitas pessoas. Não nos deixou entrar como era de esperar, já que estávamos
em Paris. Mas pedi-lhe que me deixasse ver o “panneau” art-nouveau, o que ela
permitiu, comentando a sua beleza. Descemos meio decepcionadas, mas, enfim,
havíamos conseguido, coisa quase impossível; resgatar um pedacinho do passado.
Assim
que chegamos, meu pai inquietou-se; era preciso que se encontrasse alguma
escola para mim. Teresa, minha irmã, já havia concluído o secundário, mas eu
havia abandonado o primário. A princípio, fui matriculada na mesma escola que a
filha do coronel Dirceu, Déa. Durou pouco e meu pai resolveu me colocar num
curso para crianças na Aliança Francesa. Ótima idéia! Tinha como colegas
crianças de várias nacionalidades: americano, húngaro, chinês, mexicano,
coreano. As meninas eram, Rosa, uma espanhola, que estudava balé na “Opéra” e
Piabgrum Fuangrabil (?) , tailandesa , de quem me tornei amiga, Fui com Teresa
almoçar em sua casa e comemos comida tailandesa. E ela veio à minha casa, para
um belo almoço brasileiro, que minha mãe preparou com todo seu talento
culinário. Nossa professora, Madame Benoît, escolhia, uma vez por mês, um de
nós para falar de seu país. E adorávamos. Faziam perguntas, que nos
esforçávamos por responder. Afinal, éramos crianças, ainda pré-adolescentes! Mas
todos nós já falavam francês fluente. Como foi provado pelo neurolinguista,
Eric Lenneberg, a criança tem mais facilidade de aprender uma língua, sobretudo
se interage com outras pessoas, em ambiente natural. E durante toda a estadia de
um ano e dez meses, fui intérprete oficial
de minha mãe.
Aos
domingos, eu, meu pai, minha mãe e minha irmã íamos passear nos arredores de
Paris, ou meu pai me levava aos museus. Meu irmão tinha outros programas. Foi
assim que me apaixonei pela Antiguidade e sonhei em ser arqueóloga. Fui a
espetáculos inesquecíveis, visitei castelos medievais e percorri salões
sombrios, onde, há centenas e centenas de anos, tanta gente viveu. E também
outros de outras épocas. Tive a sorte de ter um pai cultivado, e um irmão,
também intensamente interessado em cultura.
Lembranças destes velhos tempos me vêm à mente, coisas que havia
esquecido, o sanduíche de “jambon”, o “cornet” de fritas, a fila do vinho que
minha mãe freqüentava diariamente, e que meu pai, rindo, filmou. A mulher que
me achava engraçadinha – “mignonne” – no Prisunic, onde minha mãe me mandava
comprar alguma coisa, minha primeira máquina de fotografia, que ainda guardo
com carinho, já bem velhinha. Revendo o filme “Ballon Rouge”, revejo a Paris de
minha infância, tão diferente da Paris de hoje!
Tenho
em casa muitos filmes 8ml e slides. Depois de intensa busca, consegui um
aparelho de projeção de 8ml (já que o antigo só serve de lembrança), e por
vezes revejo os velhos filmes. Sinto saudades de minha infância e de todos os
que partiram. Foram-se todos! Mas assim é a vida, uns partem e outros chegam. E
Paris vai continuar no meu coração, com as castanhas cozidas na brasa de
Marius, emigrante grego, a perspectiva do Arco do Triunfo e da Torre Eiffel que
eu via da minha sacada, com François nadando feliz em uma das pias do banheiro.
Com tudo de bom que só a “insouciance” da infância e uma experiência como esta
proporcionam.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Os atos da
vida
Imagine
a vida como o teatro. Neste teatro cada um representa um papel. Escolhemos o
que queremos, já que para isto temos o livre arbítrio ou, como diz Sartre,
somos condenados à liberdade. E não podemos culpar ninguém por nossas escolhas,
elas são nossas e de mais ninguém. Quando crianças, vivemos o primeiro ato, e aí
somos preferencialmente coadjuvantes. Mas já começamos a escolher e tentar
abrir caminho. No segundo ato, somos adolescentes e nossas escolhas já começam
a refletir o que queremos. Na juventude, já nos tornamos adultos. Devemos saber
o que queremos e sabemos que nossas escolhas são aquelas que nos permitirão
chegar ao terceiro e derradeiro ato. E não há quarto.
Há
alguns dias, uma amiga mandou-me uma foto que me remeteu ao passado. Tirada há mais de cinqüenta ou sessenta anos,
mostra, reunidos, na porta principal do colégio onde estudei, velhos rostos. Já
havia esquecido aquelas pessoas. Ou pensava que havia esquecido, porque ao revê-las
ali, olhando-me fixamente, senti um aperto no coração. Uma saudade.
E
assim, comecei a relembrar o meu passado. Minha mais remota lembrança, está
fixada em uma foto. Foi num remoto dia de minha vida, em que estava sentava
numa espreguiçadeira, numa varanda que havia nos fundos de minha casa, no colo
de meu pai. Eu ainda era um bebê. De repente, ele sumiu, vi-me sozinha, e
comecei a gritar. Escondido, ele tomou a foto.
Guardo-a até hoje. Quando conto, muitas pessoas não acreditam, mas não
me importo. Tenho certeza. Alguns meses depois, eu já andava, cadeiras haviam
sido postas numa passagem externa da casa onde nasci, faziam faxina. Peguei a
tampa de uma panela corri e, feliz, comecei a bater no assento de uma
cadeira. E há meu aniversário, de quatro
anos. Lembro-me de minha mãe me vestindo
e penteando meus cabelos e me dizendo carinhosamente alguma coisa. Lembro e
quase revivo este momento. Tenho duas
fotos minhas, neste dia inesquecível, sobre um móvel em minha sala. E o filme,
onde apareço brincando com crianças que não sei mais por onde andam, nem se
estão vivas. E a festa com um “lindo” bolo feito por minha irmã, Teresa, eu de
pé sobre uma cadeira, observando cada uma das crianças antes de assoprar as
velinhas. E alguns anos depois, no velho cinema Glória, no colo aconchegante de
minha mãe, que não perdia um filme mexicano. Naquele tempo as crianças iam ao
cinema à noite, para dormir. E quando minha mãe me ninava, ouvindo as novelas
e contando-me histórias de sua infância.
Lembro-me de minha oração, de camisolinha, ajoelhada na cama, recitando com
minha mãe – sempre ela- “Com Deus me deito, com Deus me levanto. Com a graça de
Deus e do Espírito Santo. Menino Jesus na beira, São José no canto. Que a
Virgem Maria me cubra com seu divino manto.” E aí eu desfiava um rosário de
nomes queridos : “ Deus abençoe a mamãe, o papai, a vovó, ....” E o dia em que
vendo meus irmãos, bem mais velhos do que eu ( Teresa onze anos e Sergio quatorze
anos) indo para o colégio, coloquei uma capinha de neném – que se usava naquele
tempo – peguei um merendeira velha e fui esperar o ônibus. O mais incrível é
que cheguei a subir, sendo salva por uma vizinha que veio correndo e me pegou
no colo. Eu devia ter menos de quatro
anos, pois mudei-me desta casa com esta idade.
Já
com cinco anos, lembro-me de minha manha, me jogando no chão , quando uma
empregadinha não pode comprar pipoca para mim. Chamava-se Lurdes, e morreu logo
depois, tísica. Minha avó estava muito doente e minha mãe não observava que
Lurdes não estava bem. Até que uma vizinha a alertou. Tinha dezoito anos. E do
dia em que minha avó morreu. Minha mãe havia ido servir-lhe o chá da tarde e
encontrou-a morta. Teresa me contava uma história em outro cômodo, quando minha
mãe irrompeu desesperada, chorando alto e dizendo “Mamãe morreu, mamãe morreu.”
Lembro-me de mim, sentada no seu colo, chorando, enquanto ela se abraçava a
mim, sempre em prantos. Lembro-me de que fomos dormir na casa de uma vizinha,
Teresa e eu, e acordei cheia de xixi. Dei um pulo, e corri para a cama de minha
irmã. Lembranças.
Naquela
foto vejo pessoas de quem não me lembrava mais. Dona Maria Estela, que me
alfabetizou e que não gostava de mim. Por qualquer bobagem punha-me de castigo
no banheiro, que ficava dentro da sala de aula. Era um lugar escuro e úmido com
alguma coisa que parecia um tacho escuro e carcomido. Não me lembro se havia
vaso sanitário. Um dia, cheguei em casa e contei para minha mãe, que
imediatamente foi ao colégio. Não sei o que aconteceu, mas nunca mais fui presa
no banheiro tenebroso. Décadas depois, li no jornal o anúncio de sua morte. Lá
está ela na foto , feiosa, meio mal-encarada, com um sorriso forçado. E havia
sua irmã, dona Nilda, no segundo ano. Bonitona. Sempre achei que pintava os
cabelos de uma cor meio ruiva. Ela sorri. E dona Ruth, acompanhada de seu marido
Professor Romano, que encontrei mais tarde, quando já na adolescência voltei à
cidade. Eu costumava ficar de castigo depois da aula, não me lembro quem me
punha, dona Nilda ou dona Ruth, ou talvez as duas, e tinha que escrever dezenas
de vezes: “ Não posso rir na aula.” , ou alguma banalidade semelhante. Anotavam
a transgressão no diário, que eu sempre entregava à minha mãe, que assinava sem
prestar atenção. Para ela eram besteiras. E vi dona Carolina , a Diretora, com
seu corpo disforme, gordinho, de perninhas bem curtas. E tantas outras
recordações destes meados do século passado.
Depois
fui embora, passei algum tempo no Rio, onde meu pai, engenheiro militar, dava
aula no IME. Eu odiava aquele ônibus que ia me
pegar na porta de casa. Afinal, já era quase uma mocinha. Passado um ano,
consegui convencê-lo a me deixar ir de bonde. Ia feliz , fazendo o percurso da
Praia Vermelha ao Anglo- Americano, que ficava em Botafogo, onde hoje está um
prédio da Petrobras. Era para mim um grito de liberdade, talvez o primeiro,
repetido ao longo de minha vida. Algum tempo depois, meu pai anunciou que havia
recebido uma bolsa para França. Mandou para Juiz de Fora a família, já que
tinha que devolver a casa, enquanto tratava de tudo no Rio. Lembro-me vagamente
de um passaporte. Eu tinha dez anos e não tinha idéia do que aquela experiência
significaria em minha vida. Lá ficamos por um ano e, acho eu, dez meses. Mas
esta experiência com uma cultura e língua diferentes, ainda tão jovem, conto
depois.
Voltando
ao Brasil, ficamos no Rio. Eu tinha 12 anos e estava na puberdade, com todos
seus problemas. Mas havia coisas boas, como meus passeios com Teresa às
quintas- feiras na Sears, de saudosa memória. Meu pai sempre nos dava algum
dinheiro para um lanche e alguma comprinha a mais. Minha família era do Sul,
mas ele preferia vir para Juiz de Fora nas férias. Era perto e barato. Alguns
anos depois, viemos para Juiz de Fora, onde eu havia nascido. Minha mãe
engravidara logo depois de sua chegada aqui, vindos do Rio. Meu pai tinha na
época uma função já na sua área de engenharia. Era capitão, se não me engano. Belo
homem , deixou muitas mulheres apaixonadas. Eu ainda não havia nascido. Naquela
volta, eu estava entrando no segundo ato
de minha vida. Tinha 15 anos e vivi minha grande experiência do amor. Voltei
para o Granbery, onde estudara a maior parte do primário.
E vendo aquela velha foto revi aqueles anos
dourados. A Sala das Moças, no comando de dona Cecília. Lá está ela na foto.
Sempre austera. Um dia na semana tínhamos “trabalhos manuais” e dona Cecília
nos ensinava coisas interessantes. Lá fiz não sei quantas blusas de tricô, que
eu sabia desde criança. Fiz toalhas de vagonite ( alguém conhece?) Ficava na
porta que dava para o pátio dos rapazes. Meu namorado fazia um sinal e eu
escapava para encontrar-me com ele. As vezes dona Cecília me flagrava e
fazia-me voltar. Sempre educadamente. Lembro-me que tinha o hábito de morder o lábio
superior e sempre pensei que isso devia trazer algum prejuízo. Vi meu professor
de música, Reinaldo, que uma vez por semana lutava para nos fazer cantar “Luar
do Sertão” Éramos um bando desafinado, cada um indo para um lado. Tentava nos
colocar em lugares estratégicos para a primeira e segunda voz. Embaralhávamos
tudo, sentávamos errado. Linda alma aquela, homem infinitamente bondoso. E dona
Zilda, professora de francês, que se encantou ao saber que eu havia morado na
França e falava francês. Era vaidosa e bonitona. Falava bem o francês, que não
sei onde aprendeu. Na foto, diferencia-se das demais, com blusa estampada e
manga curta. E Júlio Camargo, que nos
ensinava geografia. Eu tinha uma coleção de Atlas que herdei de meus irmãos e
outros que meu pai comprava. Professor Camargo era austero, e jamais ninguém
ousou fazer qualquer tipo de algazarra em suas aulas. Mas todos gostávamos dele. Lembro-me de meu amigo Nilo Ayupe, que não chegou a vir tomar um
lanche comigo, como havíamos combinado.
E tantos outros.
Quando entrei na Universidade, para cursar
Letras, quando fiz meu concurso e meu tornei profissional, tudo mudou. Eu
mudei. Fui para Porto Alegre fazer minha Pós-Graduação, vivi longe de minha família.
Tive outros amores, dancei a noite inteira, cheguei em casa de manhã, tomei
banho e fui para minha aula de semântica. Expulsei de casa meu namorado francês,
ultra-esquerda, que me chamou de burguesa porque eu me pintava. Amei os
Beatles, Elvis. Chorei quando ele morreu. Fui esquerda, meus amores todos eram
escolhidos por suas ideologias. Voltei para minha cidade. Trabalhei, ganhei
bolsas para a França.
E quando meu pai adoeceu, com gravíssima
cardiopatia, trouxe-o para minha casa e cuidei dele até sua morte. Um ano
depois, minha mãe quebrou o fêmur, deprimida nunca mais voltou a andar, até sua
morte seis anos mais tarde . Eu já entrara no meu terceiro ato. A dor daquelas
perdas , o sofrimento , haviam deixado suas marcas em mim. Um ano e meio
depois, perdi meu irmão. Nova dor,
noites em claro sem poder compreender como ele pudera morrer tão repentinamente.
E a facada final; a morte de minha irmã, Teresa, amiga, companheira,
confidente. Acompanhei-a cada dia, sofri cada dia, sabendo que não havia
esperança. Mas sempre há um fio de esperança. Teresa faleceu há 13 anos. Naquele
dia, com aquela facada no coração, mergulhei no meu terceiro ato.
Sinto-me como
aquele menino, que descreve Mario de Andrade, que já tendo comido a
maior parte de suas cerejas , vendo o cesto quase vazio, quer gozar o que resta
até o último pedacinho. Hoje cada dia vivido é um presente de Deus. E como diz
Gilbert Bécaud no seu maravilhoso “Et maintenant”:* “ Et puis un soir , dans
mon miroir, je verrai bien la fin du chemin. Pas une fleur, et pas de pleurs au
moment de l´adieu.” Já deixei por escrito o que desejo: sem velório, meu corpo
será cremado, e somente estará presente minha família. Minhas cinzas serão
lançadas ao vento e meu espírito poderá, melhor do que jamais, apreciar a
beleza da criação do Senhor.
*E uma noite , em meu espelho, verei o fim do
caminho. Nada de flores , nada de choro , no momento do adeus.”
segunda-feira, 30 de abril de 2018
HÁ CINQUENTA ANOS: A revolução que não aconteceu
HÁ CINQUENTA
ANOS: A Revolução que não aconteceu
Como era o
mundo há cinqüenta anos? Estávamos divididos entre dois impérios: o Soviético e
o Capitalista. Estes dois impérios
haviam se formado a partir da Segunda guerra
como frente de combate ao Nazismo. Num erro estratégico brutal, através
da operação Barbarrossa, a Alemanha invade a Rússia, comandada pelo camarada
Stalin, pouco depois o Japão, que juntamente com a Itália e Alemanha fazia
parte do chamado Eixo, bombardeia a base naval americana de Pearl Harbour,
obrigando os Estados Unidos, governado por Franklin Roosevelt, a igualmente
atacar a Alemanha.
Terminada a
Guerra, com a derrota nazista, e seus
parceiros, formam-se dois grupos ideologicamente opostos, divididos pelo que
Churchill , Primeiro Ministro inglês, chamou de “cortina de ferro”. Em 1948, o Partido Comunista Chinês toma o
poder. E assim viveu o mundo entre capitalismo e comunismo. Desde 1945 até a
queda do muro de Berlim, em 1990. Mas
durante estes 45 anos o mundo deu voltas ( ou como diria o francês “ Le monde a bougé”). Várias guerras deram origem
a regimes de orientação comunista como a da Coréia do norte, do Vietnam, do Camboja.
Entretanto, excetuando a Coréia do Norte , os regimes chamados de extrema esquerda
foram desaparecendo. Hoje, somente restam China e seu comunismo capitalista, a
miserável Coréia do Norte, Cuba, igualmente miserável, e o bolivarianismo, na
infeliz Venezuela.
Naquele ano
de 1968, o mundo começou a mexer-se de forma mais expressiva. Vários
acontecimentos determinaram este pipocar, de um lado e de outro. Já em 1956,
lembro-me que morava na França, tinha 10 anos e assistia pela televisão, a revolta na Hungria, talvez
o primeiro movimento de insurreição contra o comunismo. A princípio foram
estudantes que invadiram uma estação – evidentemente estatal – querendo
transmitir suas reivindicações. Apesar de brutalmente contidos, com mortes, o
movimento que buscava mudanças espalhou-se pela cidade. Forças do Pacto de
Varsóvia, que reunia a União Soviética e todos os países do Leste (fundado na
cidade de Varsóvia , em1955, e extinto em 1991) sufocaram o movimento, que se extinguiu em
definitivo em janeiro de 1957. Pedia-se liberdade, democracia, como se pedia
também em países do mundo capitalista, dominados por Batistas, Trujillos, Somozas, Duvaliers ( Papa Doc) ,
respectivamente ditadores de Cuba, República Dominicana, Nicaragua e Haiti, além de outros que não conheço. Todos
protegidos pelos Estados Unidos e enriquecidos às custas do empobrecimento do
povo. E sem esquecer Alfredo Stroessner, crudelíssimo ditador do Paraguay,
durante dezenas de anos. Deu abrigo ao nazista Joseph Mengele, médico-monstro,
cujas proezas incluíam, entre outras, amarrar as pernas de mulheres em trabalho
de parto. Morreu de forma misteriosa, se não me engano no Brasil, assim como
seu protetor, Stroessner.
Em 1959, o
primeiro movimento “libertador”, liderado pelos guerrilheiros de Sierra
Maestra, instala o comunismo na ilha. Em 1964, ocorre o golpe militar no
Brasil, com prisões, tanques nas ruas, foragidos políticos, gente
torturada e assassinada. Quem viveu estes anos, sabe bem o que é realmente um
“golpe”. Na verdade, poucos eram os países democráticos no chamado “mundo
livre”. Sou da geração que assistiu a tudo isso, que se horrorizou, que teve
medo. E ao tomarmos conhecimento de tudo o que acontecia, muitos de nós optou
pelo lado oposto. Viramos “comunistas”.
Em 1967,
morre Chê, e torna-se nosso grande herói, vítima do capitalismo, no qual
vivíamos confortavelmente. E é interessante notar que foi naquele ano, e no
seguinte, que surgem no Brasil os primeiros sinais da frustrada guerrilha, que
tantas vidas jovens levou. Movimentos insurrecionais surgem em regiões
afastadas mas também nas cidades. Houve seqüestros, de Embaixadores sendo o
mais famoso o do Embaixador americano. E ainda a inesquecível luta pelos direitos civis dos negros nos
Estados Unidos e o brutal assassinato de Martin Luther King, o maior líder
negro, orgulho da raça. Seu assassino cumpriu prisão perpétua até sua morte em 1998. O assassinato de Robert Kennedy, que também
provoca grande comoção no mundo. Havia um movimento de revolta por um mundo
melhor, fosse de que cor, ou ideologia, fosse.
Também do
outro lado do mundo, do outro lado daquela “cortina de ferro” surgia o
movimento de liberação chamada “ Primavera de Praga”. O dirigente do Partido Comunista Tcheco Alexander Dubcek procura dar
ao povo maior liberdade , introduzindo Reformas importantes e sobretudo uma nova
Constituição. A incrível experiência da Liberdade, inspira o escritor Milan
Kundera a escrever o mais famoso de seus livros “ A insustentável leveza do
ser”. Mas Praga é invadida pelos tanques do Pacto de Varsóvia, e a esperança de
LIBERDADE acaba tendo muitos
intelectuais fugindo, como o próprio Kundera , que exilou-se na França, onde
recebeu cidadania francesa.
Ora, neste
ano de 1968, sobre o qual Zuenir Ventura escreveu o livro “1968, o ano que não
acabou”, no qual se refere especialmente ao Brasil, e que ainda não li, há
coisa demais acontecendo. Fazendo uma breve retrospectiva, lembremo-nos que até
1958, vigorava na França a IVa Republica, instituída após a Segunda Guerra, e que
não funcionou. E Charles de Gaulle era, indubitavelmente,
um herói nacional. Exilou-se na Inglaterra, quando da invasão nazista, de onde
liberou “La France Libre”, com uma emissão de rádio que os franceses ouviam às
escondidas. Voltando à França, o general de Gaulle, funda seu partido e reúne
forças para promover a V Repubica . Ou seja, a V Constituição. Eleito em 1958,
reelegeu-se até 1965. Mas sua atuação autoritária, ainda que tenha sido
extremamente positiva para uma França, há poucos anos saída de uma guerra e de
uma invasão, desagradava a estudantes e operários, estes comumente comunistas.
Foi então,
em meio a este mundo conturbado que ocorre um incidente talvez banal de uma
revolta localizada, mas que teria grande
repercussão. Não se pode localizar exatamente o momento em que surgiu a idéia
de revolucionar a França. O Mundo brigava, americanos lutavam contra vietcongs,
tchecos eram massacrados, africanos lutavam por suas liberdades. Um pequeno
incidente na Universidade de Nanterre –Paris X – desencadeia uma reação
desproporcional. Na inauguração de uma piscina,
comparece o Ministro da Juventude
e dos esportes, há uma discussão entre
ele e um estudante ruivo de origem alemã e judaica, Daniel Cohn-Bendit, que torna-se
líder do movimento reivindicatório . O Ministro é vaiado pelos estudantes , o
que deixa bem claro o descontentamento. Não
consta que Daniel pertencesse a algum partido político, mas pensava que era
necessário movimentar a França , diante de um mundo em ebulição. Greves de estudantes
e operários obrigam De Gaulle a tomar providências policiais. Após o envolvimento da polícia , com prisões,
a revolta concentra-se no Quartier Latin
. Dali se expandiu por toda a França. Houve barricadas em várias cidades, o
movimento , ao que parece pretendia trazer de volta a célebre Comuna de 1871,
que pretendia instituir o primeiro governo proletário no mundo. À Revolta de
1968, unem-se intelectuais como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Jean-Luc
Goddard, e François Truffaut, entre outros. O Partido Comunista Francês, sob a
direção de Georges Marchais, toma posição contrária, como havia acontecido no
Brasil, com a posição de Luís Carlos Prestes contrária à guerrilha. Num dia memorável, o grande poeta surrealista,
Louis Aragon, já bem velho, tenta falar
aos estudantes. Membro do Partido Comunista, é estrondosamente vaiado. Vergonha
para os que o vaiavam, Louis Aragon, tinha uma história de luta e era um
símbolo da cultura francesa. Finalmente, concedem-lhe a palavra. Esta
manifestação de intolerância já marca o começo do fim do movimento. Finalmente,
operários, obedecendo às grandes Centrais Sindicais, ligadas ao Partido
Comunista, voltam às fábricas . O movimento enfraquece até sua extinção. Sem o
prometida Revolução.
Ao todo o
movimento rebelde dura de maio a julho. Em 1969, De Gaulle propõe um referendum para regionalização do Senado , mas não
consegue vitória. Em seguida, renuncia.
Morre em
1970, O próximo Presidente da
França é Valéry Giscard
D´Estaing. De direita.
sábado, 13 de janeiro de 2018
Temps de dire adieu
Ma
mère est morte un certain vintg-six février, il y a déjà longtemps. On nous
avait averti que son temps serait court. Pendant six ans, j´avais lutté contre
son désenchantement de la vie. Elle avait fait une chutte et fracturé le fêmur. Et puis, elle n´a plus jamais marché. Elle se refusait à marcher, elle refusait la
vie, toujours adossée à son lit. Les médecins venaient et revenaient. Toujours
de nouveaux médicaments, surtout des antidépressifs, et des psychiatres, qui se
renouvelaient sans cesse. Ce furent des années de souffrance, surtout pour nous
deux, puisque le reste de la famille pouvait vivre sa propre vie. Et j´ai eu la
force de lutter pour ne pas succomber. Il me restait toujours l´espoir , qui le
sait, qu´ elle reviendrait à la vie. Mais sa perte était sans retour, elle
avait perdu son amour et plus rien ne l´intéressait. La mère que j´avais connue
toute ma vie, qui m´avait fait dodo dans la vieille chaise balançoire en
écoutant les feuilletons à la radio, qui m´avait raconté des histoires de son
enfance, qui avait arraché avec un fil chacune de mes dents de lait, que je
conserve jusqu´aujour´hui, qui me
soulageait quand je me blessait, qui avait pleuré le jour où je suis partie
pour compléter mes études, cette mère était déjà morte six ans avant que son
coeur ne s´arretât.
Mais
cette force divine, qui vient pour celui qui sait la voir , a illuminé mon
chemin et m´a fait dresser la tête. C´est cette force qui est dans le mystère de la vie et de la
mort, dans le solei qui brille et nous illumine, et que mes petits chiens
recherchent pour se chauffer. Cette force qu´ils ressentent, et que beaucoup d´êtres
humains ne sont pas capables de percevoir. C´est elle, que ,chaque matin, je ressentais sur ma peau, ayant passé une
nuit blanche ou non. Et j`ai mené ma
mission jusqu`à la fin.
Le jour ou ma mère est morte, je
l´ai emmenée à l´hôpital, dans mon auto, agonisante , assise à côté de moi. Je savais que c´était la fin. Je suis arrivée em klaxonnant. On l´a immédiatement menée, je ne sais pas où. Mais avant qu´on ne la menât, j´ai enlevé l´alliance de son doigt. L´alliance que mon
père avait mis dans sa main droite, à quatorze ans, et qui m´accompagne chaque
jour de ma vie. Ma soeur et moi, nous
sommes restées dans le hall, attendant
ce qui arriverait ou était déjà arrivé. Et quand je suis sortie de l´hôpital, après la
fatale nouvelle, j´ai regardé le ciel et j´ai vu, confondus à mes larmes, des amas de nuages , qui s´amoncelaient
comme des enfants qui jouaient . J´ ai rappellé une vieille histoire qu´elle me
racontait toujours , des successives Coralies,
toujours habillées en blanc et
qui mouraient encore enfants. Ça s´était passé dans son adolescence. Prise
d´une conviction divine, j´ai ressenti
que Dieu m´envoyait un message. Qui le
sait? Peut-être c´étaient elles qui
était venues la prendre.
Puis, la funéraire, mais il y avait quelques minutes elle était encore vivante ! Ou, alors, ce n´était qu´une impression? Je suis rentrée,
épuisée. Dans la salle sombre et
silencieuse , j´ai ressenti mon corps courber. Et j´ai prié pour Celui que je savais être là. Je suis sortie
dans le balcon et la vie a pénetré en moi. Pendant ces années de souffrance ,
j´avais appris a percevoir Dieu. J ´ai parcouru
le couloir en allumant les lumières,
et d´un coup , je suis entrée dans sa chambre. Le vieux fauteuil, où on l´ asseyait était là . Je m´y suis assise . En bas, le
petit coussin pour les pieds. J´ai fermé
les yeux et des milliers de souvenirs de ma première enfance me sont venus à la mémoire. C´était comme un
carroussel de mon passé, le plus lointain, qui tournait dans ma tête épuisée. Des rues mal illuminées où
des enfants jouaient la marelle, des fêtes de juin, froid, le jour où je me
suis coupé le menton, et les Soeurs de
Saint Vicent-de-Paul, avec leurs énomes chapeaux , glissant dans les couloirs.
Soudain, j´ai ouvert les yeux et ,sur la petite table, j´ai vu ses médicaments,
que je laissais toujours organisés dans
un petit pot. Alors, des larmes ont coulé sur mon visage. Mais je ressentais
une grande paix. J´ai décidé de prendre un bain, et j´ai laissé l´eau couler
sur ma tête et mon corps. Eau, vie! J´ai respiré profondément, remplissant
d´air mes poumons. La vie! J´avais compris,
finalement! Comme l´eau qui avait rafraîchi mon corps, il y avait une
sécheresse interne. J´étais assoiffée! Sur mon corps mouillé, j´ai mis une
chemise et j´ai pris le téléphone pour avertir quelques amis et familiers à
Porto Alegre.
Et il y aurait encore les
funérailles ! Des amis ou ceux qui
venaient par devoir! Je devrai voir son corps mort, inerte, ses belles
mains, qui avaient crée tant de belles
choses, croisées sur la poitrine. Je baiserais son visage gelé. Et
il fallait encore avertir mon frère! Je ne rappelle plus comment j´ai
fait. Mais je me rappelle l´avoir emmené
en auto
au cimetière. Il ne disait rien, mais je savais qu´il souffrait
énormement. Mon amie, Many, est arrivée
peu après et m´a emmenée pour me reposer un peu dans une
chambre. J´étais profondément abbatue! Pourtant, quelque chose au-dedans de
moi, m´assurait qu´elle , finalement , était heureuse! Soudain, un énorme
cafard , près de ma tête, m´a fait faire un saut, retournant dans la grande
salle.
Alors, j´ai décidé d´aller chez moi. J´avais besoin de
quelques documents. Le jour commençait à pointer. Many, mon amie dans le bonheur ou le malheur, m´a
préparée une bouille que j´ai engloutie automatiquement. Alors, j´ai regardé le soleil
qui commençait a avaler la nuit et j´ai ressenti bien au-dedans de moi-même que
toute cette beauté des couleurs du jour qui se levait était une preuve de
l´existence de Dieu. Ainsi que la lune qui avait illuminé ma triste nuit. Et cete splendeur m´ assurait que tout venait
de Lui. Je le savais!
Aujourd´hui, après tant d´années écoulées, je répète Fernando Pessoa “ Accorde-moi de l´âme pour
te servir et de l´âme pour t´aimer. Accorde –moi l´ acuité pour te voir
toujours dans le ciel et la terre.” Et c´est cela que j´ai ressenti, à sa vue , morte , rigide , dans ce cercueil .
Je savais , et ce ciel resplendiscent, m´a paru un signe. J´ai vu mon amie Sônia, assise sur un banc, à
côté de mon frère, lui tenant caressement la main. Ils sont restés là
longtemps, jusqu´à ce que mon pauvre
frère , que je perdrait un an et demi plus tard, eut le courage de voir
sa mère morte.
Alice a été ensevelie quand le soleil se couchait déjà
derrière les montagnes. Mon coeur rebondissait dans ma poitrine, je n´ai pas
voulu continuer. Mère, ta rencontre avec moi est finie, comme tout finit dans
la vie. Et parodiant Fernando Pessoa; accorde –lui que son âme puisse paraître
devant toi , comme un fils qui retourne à son foyer. Mère, le sol qui sert de
lit à tes dépouilles et de tous ceux que j´ai aimés et perdus, n´est jamais
fréquenté par moi. Là où tu es, et tous
les autres , n´est pas la terre sèche et aride. Ta demeure est au-delà de moi et de tous ceux qui iront après. La
demeure de mon corps , consommé par la
crémation, devra être le chemin du vent. Mes cendres trouveront le chemin le
plus élevé , qui puisse presque toucher le ciel. Lá haut, je verai toute ton
oeuvre , Seigneur, et pourrai plus que jamais m´émerveiller de toute ta beauté.
“Seigneur , protège-moi , appuie-moi. Accorde-moi que
je me remette à toi. Seigneur , libère-moi de moi.”
sábado, 9 de dezembro de 2017
LES HORIZONTALES
Século XIX , século XX.
Depois de tantos acontecimentos, enfim , chegamos ao novo século. Na França, nestes
cem anos, que parecem ter fim, ao menos
cronologicamente, foram tantos os acontecimentos! Dois golpes, duas revoluções,
uma guerra contra a Prússia, uma França vencida, duas perdas territoriais, uma
revolta em Paris, denominada Comuna. Enfim, destruídos os rebeldes, chega-se à
Terceira República. Paris se engalana. É a Belle Epoque. Numa sociedade, ainda
distante de qualquer resquício de igualdade, uma parte da população sente que a
vida é para ser gozada. Não se poderia imaginar o que se preparava neste século
recém-nascido. Mas até a Primeira
Guerra, as delícias deste mundo de artistas, música, das comédias de
Feydeau, das deliciosas operetas de
Offenbach, do Moulin Rouge, do Impressionismo, tudo continuou existindo.
Prazer, jóias, amores ilícitos, cortesãs. Elas eram muitas, mas
três se destacavam. Eram as mais belas, mais inteligentes, mais artistas.
Começaram no famoso “Folies Bergère”, em pequenas cenas, belas figurantes. Mas este não era seu
objetivo. La Belle Otero, Liane de Pougy, Emilienne d´Alençon. Tinham origens
diferentes. Caroline Otero, cujo verdadeiro nome era Agustina Del Carmen Otero
Iglesias, nasceu na Espanha, de família duvidosa, com muitos filhos , cada um
de um pai diferente. Com a morte do marido e a completa ruína da família, sua
mãe se prostitue para manter a prole.
Isto até casar com um certo fulano que logo passa a detestar sua enteada,
Agustina. Mas, na promiscuidade em que viviam, durante uma festa na aldeia, a menina é violentada
por um sapateiro. Ela tem apenas onze anos. Sua vida daí em diante torna-se um
vendaval de homens e de um proxeneta. Aos treze anos, com seu amante ela
aprende a dançar o flamengo, e a desenvolver certa habilidade teatral. Descoberta como menor , ela é encaminhada para
sua mãe, que a expulsa. Volta à vida de prostituição, até que, grávida, é
obrigada a abortar, o que a torna estéril. Encontra um segundo amante, que
também a explora e a leva a cabarés , onde exerce suas habilidades de
dançarina, e também a explorar seu charme. Somente algum tempo depois, um rico
banqueiro compra sua liberdade, ensina-lhe boas maneiras, e a leva para fora da
Espanha. Mais tarde, já conhecida, ela estréia em pequenas cenas nas grandes
salas de espetáculo de Paris, como Moulin Rouge, Folies Bergères, e Cirque
d´éte, este último já desaparecido. Mas sua grande paixão é o jogo. E nele
depositou milhões, dados por amantes: Reis,
Príncipes, Duques , milionários que freqüentavam esta Paris em ebulição.
Liane de Pougy, já tinha origem totalmente diferente. Era
francesa, de uma família de militares. Anne-Marie Chassaigne , seu verdadeiro
nome, recebeu fina educação junto às Irmãs “ Fidèles Compagnes de Jésus”, e
desde cedo seu temperamento libertário se fez sentir. Mas, foi junto às Irmãs
que ela aprendeu o savoir-faire e a cultura que mais tarde lhe serviram de
base. Aos dezessete anos, ela se casa
com um militar, e pouco tempo mais tarde dá à luz um filho, que se tornará um dos pioneiros da aviação na
Primeira Guerra e morrerá aos vinte e sete anos. Com o marido fora, Anne-Marie
arruma um amante, causa de uma bala que recebeu nas nádegas. Ela foge, e
aproveita para se divorciar. Diz seu biógrafo, Jean Chalon, : “ A beleza ,
quando é pródiga em prazeres, pode ser uma chave abrindo muitas portas,
inclusive as da imprensa” Ela estabelece
relações com os chefes de importantes órgãos da imprensa, como Gil Blas,
hebdomadário, com sabor profano, e até o severo “Le Figaro”. Seu nome é
presença nas rodas sociais e intelectuais. Ela aprende dança, e escreve. Seus
amantes são ricos, poderosos, e pagam qualquer preço por uma noite, ou por
somente vê-la nua, em todo seu esplendor. Liga-se de amizade com Sarah Bernard,
que a aconselha a não tentar o teatro, por sua falta de vocação, conselho que
ela desconhece. Faz amizade com Proust, que incentiva seu talento literário.
Uma certa noite, é chamada às pressas por seu amigo e admirador,
Henri Meilhac, autor teatral e membro da
Academia Francesa de Letras. Dizia-lhe que se fizesse muito bela e elegante.
Sem entender, Liane foi encontrar seu amigo e assustou-se, quando, ao entrar no salão, viu levantar-se toda a
platéia e a orquestra tocar um hino triunfal. Somente no dia seguinte, soube,
pelos jornais, que substituira a rainha
da Suécia, impedida de ir na última hora.
É assim esta mulher que faz de seu corpo seu comércio, mas que não se
esquece de sua capacidade intelectual. Como diz seu biografo ela nunca deixa de
mostrar, a quem a visita em sua mansão, seu majestoso leito de seda e plumas como seu “ganha
pão”. Ela havia descoberto que o leito pode ser explorado de várias maneiras. E
fortunas se dissolvem em suas mãos, jóias, dinheiro, e tudo que tem valor...
Emilienne d`Alençon , ou Emilie André, nasceu em Paris, filha de uma “concierge” (
espécie de faxineira de um edifício, onde mora com a família, profissão
praticamente desaparecida). O pseudônimo
lhe foi sugerido pela prostituta Laure de Chiffreville, que lhe prevê um futuro
brilhante, devido à sua beleza e graça. Ela se introduz no Cirque d`Été , no
Maxim´s . O grande incentivador de sua carreira foi o jovem duque Jacques
d`Uzès, que, perdidamente apaixonado, pretendia fazer dela uma dama, que
posteriormente esposaria. Mas esta não é a intenção de Emilie ou Emilienne, e
tampouco da família do duque. Assim, enviam-no para o Congo, onde ele morre.
Aí, então, a jovem futura cocotte, faz sua carreira. Por ela se apaixonam
Leopoldo II da Bélgica, o futuro rei Eduardo VII e o Kaiser Guilherme II. Com
Liane de Pougy, ambas com tendências lésbicas, estabelece um romance, que dá a
Gil Blas a ocasião da seguinte piada: haveria um casamento e em pouco tempo
nasceria um bebê.
Por causa de suas origens populares, é apelidada de “Gavroche
feminina” ( moleque de rua do romance de Victor Hugo, “Les Misérables”, que acaba
morrendo na revolução de 1830), no entanto, é uma mulher inteligente e talentosa.
Apaixonada pela literatura, ela escreve uma coleção de poesias com o título
“Sous le masque” , bem indicativo de sua própria vida. Bela mulher, e
fotografando muito bem, ela usa esta estratégia para melhor marcar sua imagem.
A descrição que dela faz um cronista é de uma irresistível mistura de inocência
e sensualidade. Seu nariz arrebitado e audacioso, sua boca que ao mesmo tempo
faz beicinho e convida ao beijo. Mas esta “Gavroche feminina” arruinou muitos condes, duques, barões, milionários
interditados pelas famílias.
E afinal, chega a Grande Guerra, e termina a Belle Epoque. As
cocottes famosas já não são tão jovens e sedutoras. Liane de Pougy dá vazão às
suas tendências lesbianas. Torna-se amante de uma jovem americana, Natalie
Clifford Barney. Ela é bela, rica, poderosa. Desde que sabe amar, ela ama as mulheres. Certa vez, acompanhando seu
pai à Casa Branca, ela encanta-se pela
Primeira Dama e diz claramente: “ Ah ! Senhora Presidente, se pudesse continuar
a presidir a Casa Branca com não importa
qual presidente!” Constrangimento geral.
Na França, procura Liane enviando-lhe um buquê de rosas. E então começa o
romance mais ardente da vida das duas. Mas como tudo passa, o amor acaba, e
resta uma profunda amizade. Em 1899, ressurge vida de Liane de Pougy seu filho
Marc Pourpre, com doze anos, que ela havia quase esquecido. Levado pelos avós,
conheceu aquela mulher que diziam ser sua mãe e cuja foto se espalhava por toda
Paris. Liane o recebe, mas não consegue estabelecer com ele o amor maternal.
Interna-o no melhor colégio de Paris, provê todas suas necessidades,
oferece-lhe belas férias, e manda-lhe declarações de amor maternal.
Em 1910, finalmente, ela encontra seu príncipe, de verdade.
Casa-se com o Príncipe romeno Georges Ghika , para grande furor da família do
noivo. A Grande Guerra aproxima-se. Em
1914, morre seu filho Marc, um pioneiro da aviação. Mas, estranhamente, mesmo
antes de saber de sua morte, Liane cai em desespero. Contorce-se , tem um tremor por todo corpo, prostra-se no chão. Seu
desespero mostra que a mãe dentro dela não havia morrido. Ela havia implorado
para que não fosse, mas ele queria, achava ser seu dever como francês, reconquistar a Alsácia e Lorena. Ao saber de
sua morte, a mãe cai em estado vegetativo, seu coma é quase fatal. Anoxérica,
passa a pesar quarenta e dois
quilos. Á sua cabeceira está seu marido e sua ex-amante americana ,
Natalie Barney. Mais tarde ela dirá: “ Aprendi a maternidade na dor”
Em 1945, morre seu marido e ela resolve se recolher a um
convento. Morre em santidade em 1950.
Como diz seu biógrafo: “Liane de Pougy, cortesã, princesa e santa.”
Belo Otero, passados os anos de apogeu, recolhe-se à sua mansão em
Nice. Na mesa de jogo perde toda sua fortuna. Em 1960, sem recursos, encontra
um amigo que lhe aluga um quarto, onde esquenta sua refeição. Conta-se que, à
noite, via-se nos becos de Nice, uma velhinha que procurava comida no lixo. Morre
em 1965.
Emilienne d´Alençon morre em 1945. Ela está falida e
endividada. Seu dinheiro fora gasto com
as amantes, e seu corpo e seu espírito estão destruídos pelo ópio. Casou-se
duas vezes com jokeys ingleses. Divorciou-se do primeiro e perdeu o segundo na
Grande Guerra. Gasta pelo tempo, pelas drogas, pela miséria , foi-se.
Estas mulheres viveram um mundo de esplendor que terminaria na
Grande Guerra. Neste novo mundo que surgia não havia lugar para elas. Todas
viveram também os horrores da Segunda Guerra. No “entre-deux-guerres” , pensou-se
que a vida retomaria seu rumo, mas a Primeira ainda não acabara. Ela recomeçou
em 1938, quando, de joelhos, Daladier e Chamberlain, lideres da França e da
Inglaterra ,entregaram, parte da Tchecoslováquia a Hitler. Daí em diante, o
mundo jamais tornaria a ter paz.
LES
HORIZONTALES
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